10 de julho de 2011

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Zé Celso devora Oswald de Andrade na Flip

GABRIELA MELLÃO
DE SÃO PAULO

Oswald de Andrade (1890-1954) não poderia deixar de marcar presença na Flip, evento que o reverencia. Surge para o "grand finale" da festa, muito bem acompanhado de Tarsila do Amaral.

Vivido pelos atores Marcelo Drummond e Letícia Coura, o casal modernista aparece em cena em "Macumba Antropófaga", misto de rito e musical que ocorre em Paraty hoje, às 16h, regido por José Celso Martinez Corrêa. O diretor deve o renascimento de seu teatro a Oswald.

"Oswald é meu maior inspirador. Após 'O Rei da Vela' (1967), eu passei a interpretar tudo a partir de sua visão antropofágica", diz Zé Celso, que o considera como o precursor da independência do Brasil: "Ele é nosso grande descolonizador".

"Macumba Antropófaga" transforma em dramaturgia o "Manifesto Antropofágico", em que Oswald de Andrade lança a antropofagia como movimento cultural.




Retrato do diretor de teatro Zé Celso, que marca presença na Flip
Retrato do diretor de teatro Zé Celso, que marca presença na Flip

Para Zé Celso, o feito, criado coletivamente pelos artistas do Teatro Oficina, é do próprio Oswald: "Tudo o que ele escreveu é teatralizável. Ele não faz manifesto como um partido comunista, como um discurso. É outra coisa, é um ser vivo, um poema".

Em cena, Oswald e Tarsila bebem absinto, se despem e se contemplam como duas obras de arte. Também dançam e, como legítimos antropofágicos, se devoram.

Não demora para Oswald se transmutar em "Abaporu" (quadro de Tarsila que em tupi-guarani quer dizer "o homem que come gente") e pintar seu "Manifesto Antropofágico" num livro feito de carne humana, que servirá de alimento ao público.

Outros personagens são incorporados à trama, como o preguiçoso Macunaíma, herói sem caráter de seu amigo Mário de Andrade.

Diluídos no coro, surgem figuras tão díspares quanto Berlusconi, Pagu, uma tribo de índios aimorés, Carlos Gomes e Cristo, acompanhados de Napoleão, Freud, dom Pedro 1º, Rousseau, Montaigne e Buñuel, entre outros.

A intenção de Zé Celso é integrar o público da Flip à encenação. "Vamos nos descobrir, decifrando em nossos corpos a obra desse poeta transmilenar do amor, humor e vertigem: Oswald de Andrade", afirma.

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