De feiras e bibliotecas
Por Isaac Rehl As bibliotecas são mundos, os leitores são voyers. Numa segunda-feira daquelas, em que o calor entedia, entrei num desses lugares e me abandonei a leituras fortuitas. É um exercício quase gratuito, mas extremamente prazeroso. Não é como quando você pesquisa, que você procura um livro, encontra-o e devora-o. É como se você estivesse numa feira, em que há muitos ruídos, cores, texturas, opções; você toca em uma coisa, cheira outra, prova uma terceira, fica confuso, escolhe algo como por acaso - no final, você não tem a experiência de uma fruta ou objeto em particular, mas da feira inteira. É igual, indo de livro em livro, através de páginas incompletas e frases soltas, capas diferentes e títulos mais ou menos sugestivos - você não saberá nada sobre os livros, não entenderá o pensamento dos autores, conhecerá apenas a biblioteca no que ela tem de essencial: a diversidade e a sugestão. Você não se tornará alguém mais inteligente, apenas mais sensível.
Que jeito gostoso de compreender a leitura. Talvez esteja aí o verdadeiro sentido de ler, que precisa ser redescoberto por cada um, sobre tudo pelos professores, que precisam estimular a leitura entre seus alunos.