3 de agosto de 2009

Artes Plásticas

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(A Arte Contemporânea)

- Quem daria 1.000 dólares pelas fezes enlatadas do artista belga Win Delvoye? “Merda do Artista”; trata-se de uma geringonça que simula,industrialmente, o parelho digestivo do ser humano. Será que Delvoye embebedou-se com Sopa Campbell? (Não sei). Talvez Andy Warhol pagasse. Contudo, ao menos e a mais, e ao que tudo leva crer, o belga teve uma indigestão lucrativa. Pois o projeto que custou 200 mil dólares pareceu agradar o público. Enfim, “Cada um consome o que merece”, proferiu o escritor Afonso Romano de Santana.

Quem dera minha merda valesse tanto! Ou melhor, ter tido a esperteza (pseudo-intelectual) de que minha merda pudesse valer tanto. Depois de “A Fonte”, obra do artista Marcel Duchamp, o urinol-símbolo doready-made, levou as Artes Plásticas a uma tempestiva e gradual “Crise de Identidade”. Onde “tudo é arte e nada é arte”? Ora, venhamos e convenhamos, nem tudo é arte, e girar ao redor do “nada pelo nada” não é senão nada.

Não existe mais o Prazer em se fazer Arte. Virou um negócio como outro negócio qualquer. E o preço desse negócio é a tolerância. Que se desmi-língua aos pés dos "charlatões intelectuais de plantão". Reles oportunistas do desdobramento da figura do artista plástico em outras áreas do conhecimento e da linguagem.

E quem consegue divertir mais o público? Dar cultura do espetáculo para uma sociedade do espetáculo? A glorificação do besteirol, e o sucesso do vazio pelo vazio é um sintoma da crise criativa, com “C” maiúsculo. Acompanhada da crucial dúvida sobre os rumos da arte que pairam, assombrosamente, sobre um conceito contemporâneo sem parâmetros críticos. De fato, e enfim, a arte contemporânea assusta. Assim como toda a história da arte em si sempre o fez. Com as suas mudanças, os seus rompimentos e os seus movimentos. No entanto, parece-me que, a “Bienal”, canção do cantor e compositor Zeca Baleiro, mais do que nunca, faz jus aos dias de hoje. Dias em que, amanhã, nos leve não tão somente a vender ou comprar fezes por 1.000 dólares, mas também comê-las como performance. Alguém aí se habilita?




Diego Dourado de Menezes,

Artista Plástico

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