21 de março de 2010

No Divã das Palavras

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AS VERDADES DE ARGILA 
Gilvaldo Quinzeiro 

Tudo pode ser diferente, igual a que nunca se imaginou ser; e a imagem que se vê no espelho é a pedra que estilhaça a “verdade”.

A “verdade” é um espelho que reflete o em si para si. Mas, quebrado, o espelho também despedaça o encanto por si, e assim se inicia a busca pela “verdade”...

Na busca pela “verdade”, o muito que se tem conseguido é “sepultá-la” no fundo dos  abismos das palavras, onde se acredita que aquela não tem nada de si. 

Dito de outra forma, a “verdade” é o para si no que há de si na “verdade”, tal qual a imagem refletida no espelho.

A “verdade” é como uma argila amassada para,  com “a mão grega”,  se erigir um olhar que não tem olhos para si. Ou seja, se a “verdade” fosse algo que se pudesse desenterrar tal como numa escavação arqueológica,  o que se veria era certamente o que também aos olhos se cega.

Portanto, desenterrar a “verdade” é redescobrir, entre pedras e estilhaços de argila ou de espelho, o olhar vazio de quem não quis se ver esculpido tal qual uma estátua grega à espera da... verdade!...
Verdade?

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