Gilvaldo Quinzeiro
1 – Paradoxalmente, o mundo que se ergue do conhecimento é também o mundo que velozmente não se contempla, porque o conhecimento com o qual se cria o mundo agora, já está prenhe do outro mundo a ser criado mais tarde. De sorte que o presente nos arrasta precocemente para o futuro.
2 – Dito com outras palavras, a sociedade contemporânea que vive sob a égide de tudo o quanto é cientifico e tecnologicamente avançado, enfrenta o dilema de não ter homens e mulheres que o contemplem na sua complexidade, mas, sobretudo, que não sejam capazes de, com mais conhecimentos, evitar o seu fim.
3 – Assim sendo, se faz necessário pensar e praticar uma pedagogia nascida deste dilema, e porque não dizer uma pedagogia para evitar o ‘fim do mundo’.
4 – Esta pedagogia da qual falamos e precisamos praticar passa necessariamente pelo
enfrentamento dos desafios fantasmagóricos da sala de aula que, se não é o bicho como muitos afirmam, mas certamente é nosso maior achado antropológico, isto é, o elo entre a barbárie e a civilização.
5 - Isto significa dizer, no entanto que, se na educação não houver lugar para o “desejo” que é morada do “corpo”, qualquer palavra dita, mesma com a mais nobre intenção de educar – tornar-se-á apenas fonte de discrepância, como tem sido discrepante muito dos discursos sobre o ato de educar. Tal como o da mãe, a fonte da esquizofrenia, quando não consegue falar à criança cujo corpo é sua comunicação na mediação e realização de seus desejos.
6 -O corpo está para o contato auditivo, assim como atenção está para aprendizagem, isto é, a palavra dita, sem que se saiba antes a que corpo tocar, é no mínimo “desviadora “ da atenção; e com esta desfocada, a aprendizagem será impossibilitada.
7 - Por fim, O ato de aprender é, pois, de uma índole na qual só se aprende o que se deseja aprender; só se deseja aprender o que se deseja para si e só se deseja para si, o que é também pelo outro desejado.
