26 de fevereiro de 2010

NO DIVÃ DAS PALAVRAS

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A ESCRITA
Gilvaldo Quinzeiro
Se eu não me tomar como fonte de leitura, como compreenderia as outras escritas das quais não sou eu autor?
Se Freud, para criar a Psicanálise, teve que se fundar em si mesmo como fonte de leitura, isto é, na “coisa freudiana”, como nós outros, poetas, artistas, pensadores, bêbados, poderemos prescindir da escrita que borra em nós sem que a compreendamos primeiro?
De que escrita se está tratando aqui? A resposta é: da “coisa” se rastejando dentro de nós tal como uma serpente à espreita do rato!
A escrita da qual estamos tratando é filha da mesma árvore que fez brotar da cabeça de Isaac Newton a lei da gravidade ou da de Freud que concebeu o inconsciente, isto é, da árvore da intuição, e como tal é, sim, empirista. Ou seja, estamos falando da escuta da “coisa” que antecede o ato de escrever. É também esta escrita que lambeu o instante em que Albert Einstein colocou a língua pra fora para borrar a cara do mundo!
Assim sendo, torna-se imperiosa a escuta atenta das vozes que vêm de dentro da nossa escuridão, sob pena de não se saber compreender o que os outros escrevem, quando incomodados pelos seus fantasmas.
A tal escrita, chamamo-na de poesofia!
O seu parto dar-se-á quando da sua eclosão no ninho que não o da coruja!

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